segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Campanha negra: a conspiração

Dada a escassez de notícias sobre o caso Freeport - o futebol e o mau tempo estão a fazer excelentes resultados no índice CSP* - aproveitemos o sossego mediático para pôr em ordem a nossa investigação bloguística.

Uma das questões que temos ainda em aberto é Quem poderia ter tramado Sócrates?.

Devo esclarecer que a questão não é retórica. Segundo o direito português, Sócrates é inocente. Se houver provas em contrário, e se for julgado e condenado, é culpado. Num caso ou noutro, alguém tentou tramar Sócrates e não foi a polícia inglesa. Se esta estiver metida ao barulho, é porque foi instrumentalizada por poderes muito grandes (e o caso deixa de ser provinciano).

Quando uma suspeita é lançada em condições tão invulgares e de tanto melindre (como é o actual ambiente político, social, económico e moral em Portugal) devemos considerar que a parte lesada e rancorosa tem muito mais a perder, monetária e/ou moralmente, do que qualquer político ou funcionário teria embolsado com o caso Freeport (quatro milhões, ao que dizem, não se sabe se em contos, se em euros, se em libras, se em dólares zimbabueanos).

Façamos a lista dos hipotéticos suspeitos:

1. Os ex-ministros banqueiros do PSD em resultado do que se sabe ( e de tudo o mais que ainda há para saber).
2. Os ex-governantes apeados do PSD e PP ao tempo do menino guerreiro (no mito do seu regresso numa manhã de nevoeiro, o nevoeiro converteu-se em fog londrino)
3. Os aparelhos partidários e sindicais do PCP e do BE, afectados nas suas tropas de élite (as corporações no funcionalismo público ameaçadas pelas vagas tentativas de reforma do actual governo).
4. O próprio PS (já que este governo parece ser pouco socialista, segundo os seus históricos, sendo sobretudo representativo da grande maioria silenciosa dos portugueses que não se vê representada em nenhum partido e que espera dele a moralização do sistema político nacional)
5. Os barões da finança, das grandes empresas de serviços públicos e da comunicação social, e os interessados na privatização das áreas sociais (saúde, segurança social e educação).
6. As altas esferas do clero católico e dos big brothers da moralidade nacional (Essa do casamento dos "coisos", ó Sócrates, foi demais! Já não chegou os divórcios que levaram tanta gente à miséria em Portugal? E o aborto?)
7. Uma família inglesa... riquíssima, poderosíssima, com fortes, muito fortes influências na Coroa, no Governo de Sua Majestade, no Vaticano, na comunicação social, nos meios policiais e judiciários.

A lista não é exaustiva nem os items são mutuamente exclusivos. Imaginemos, não uma campanha negra, mas uma cabala em que, em parte ou no todo, estes intervenientes se conluiavam para tramar Sócrates. Digno de Aghata Christie!

A investigação não será fácil pois as pistas divergem para muitos lados. Os mandantes são, como sempre, invisíveis. Apenas podemos estudar o comportamento dos seus homens de mão.

Por exemplo, dos jornalistas.

5 comentários:

  1. Por ser inocente em prova contrária, Sócrates deveria, como honesto cidadão que se diz, deixar a justiça actuar no apuramento dos factos. Cabala ou campanha negra, Portugal é reconhecido mundialmente como tento alta corrupção visível, fora a que não se vê.

    ResponderEliminar
  2. Pelas tuas palavras, a única pessoa que está livre de suspeita sou eu, e olha que nem simpatizo com ele. Espera, isso faz de mim suspeito. Gosto sim senhor, tem feito um excelente trabalho! E é elegante! ;)

    ResponderEliminar
  3. Ora bem, mais um post a falar de Sócrates! Que outra conclusão posso eu tirar senão que és professor de filosofia??? E fixado no Sócrates, porque também poderias falar do Platão, ou, mais modernamente, do Kant ou do Wittgenstein:))
    Se não és, és "private eye" ou descendente de Poirot...e a investigação até vai bem encaminhada!
    Uma boa semana.
    (sim, sou eu. Sim, os cabelos actualmente estão todos brancos, o sorriso com bastante mais rugas, mas mesmo assim dispenso o tratamento por senhora:))

    ResponderEliminar
  4. ... em boa verdade não tenho opinião formada. E de que me serviria tê-la? Se favorável à teoria da conspiração, serei tido como apoiante de Sócrates ou, de um modo mais alargado,que todos os políticos ou seus familiares próximos são incorruptíveis... porque sim. Se, ao contrário, opinar que se deve confiar na Justiça comentarão que já me devo ter safo (pelo menos!) a uma qualquer coima devido à morosidade da dita Justiça. Se, finalmente, achar que por menos que isto o PM já se deveria ter demitido, não faltará quem afirme que eu pretendo é viver mais trinta e tal anos numa doce e entusiástica confusão.

    Se vos disser que sou adepto do Sporting...

    ResponderEliminar