sábado, 31 de janeiro de 2009

Campanha negra: quem tramou?

Há duas espécies de investigação: a investigação policial e o jornalismo de investigação. Porque a Justiça é cega, a investigação policial deu em ser coxa. Para contrariar, o jornalismo de investigação é célere, capaz até de relatar os factos antes de eles ocorrerem. A primeira apura os factos, se chegar a apurá-los, para que se faça justiça; para a segunda o apurar factos é a razão da sua existência, como a do cozinheiro que apura os seus pratos para que os comensais, eles incluídos, se banqueteiem.
Proponho um novo tipo de investigação: o bloguismo de investigação.
A investigação policial tem um problema: devido ao segredo de justiça sabe-se tudo, o que é e o que não é. O jornalismo de investigação tem o problema contrário: é tudo tão transparente que não fica nada para se ver; apenas a memória, passados alguns tempos, de que se falou de qualquer coisa.
O bloguismo de investigação não vai à procura dos factos. Serve-se dos abundantes factos dados à luz pelo segredo de justiça ou pelo delírio dos jornalistas, aceita-os como meros enunciados e analisa e discute a sua verosimilhança. Ou tenta descortinar o seu significado. Para o blogger a verdade deve ter uma dimensão estética: o que interessa que um enunciado seja falso se for bonito?
Vou dar um exemplo baseado no caso Freeport.
De acordo com a Lógica, que não admite senão a verdade ou falsidade da proposição (o terceiro excluido), ou houve corrupção (em que estão envolvidos decisores políticos) ou não houve (em que não estão envolvidos decisores políticos); se não houve corrupção, ou houve tentativa de corrupção ou não houve; se houve tentativa de corrupção, a corrupção não passou do estado de tentativa por oposição dos decisores aliciados ou por inépcia ou outra qualquer incapacidade dos corruptores. Para simplificar: ou ele há coisa, ou não há nada.
Dir-me-ão que eu não devo excluir o terceiro, que o terceiro é muito português, traduzido muitas vezes no "nim". Por exemplo, todo o português concorda que um professor (um puto que cresceu na idade e nunca chegou a sair da escola) tem capacidade para avaliar os putos novos mas não tem capacidade para se avaliar a si próprio ou os seus pares, o que é deveras estranho. Ainda que um barbeiro não consiga cortar o cabelo a si próprio ainda vai. Mas, como dizia, é admissível afirmar, em português castiço e fadista, que, entre haver luvas e não haver, há a hipótese de haver uma gorjeta. Não alinho neste tipo de lógica porque assim jamais poderei colaborar com os bloguistas ingleses no apuramento da verdade. Portanto, cada enunciado deverá ser considerado, depois de um apuramento exaustivo, verdadeiro ou falso. Salvo se for destituído de sentido como a maior parte dos enunciados jornalísticos.
Então, "Sócrates foi corrupto" ou "Sócrates não foi corrupto". Não vamos entender as proposições em sentido abstracto: por exemplo, "Sócrates é por índole uma pessoa corrupta" - e as trapalhadas com as habilitações e os projectos de engenharia seriam a prova cabal de uma tal natureza; ou "Sócrates provém de uma família corrupta"; ou "Sócrates é cidadão de um país de corruptos". Tais proposições desafiam a lógica e a última apetece-me resolvê-la ao tabefe.
Se Sócrates não foi corrupto no affair Freeport então estamos perante uma campanha negra e apetece perguntar: Quem tramou Sócrates?
Se Sócrates foi corrupto no affair Freeport (chamemos-lhe Alcochetegate) então estamos numa enrascada: num país de heróis à deriva num mar tormentoso e sem ninguém com perfil de timoneiro. E apetece perguntar: Quem tramou Portugal?

Campanha negra: a inteligência nacional

A comunicação social portuguesa é má, má, má até dizer chega. E tem o desplante de aldrabar o que as pessoas dizem mesmo quando acabámos de as ouvir.

Portugal sofre de uma clivagem de inteligência digna da abertura de uma nova área de investigação científica: porque é que de um lado os jornalistas portugueses são tão "inteligentes" e o resto do povo tão estúpido?

O PR disse que o caso Freeport era um "assunto de Estado"? Eu ouvi e gravei as declarações, percebi o contexto em que foi dito o que foi dito. NÃO DISSE!

Senhores jornalistas, sois bons dignos sucessores dos caça-bruxas e caça-judeus do Santo Ofício.

Que mal fiz eu ao diabo? Tirem-me daqui.

Campanha negra: cherchez la femme

As "best practices" dos romances policiais aconselham sempre a "chercher la femme".
Manuela Ferreira Leite? Não! Que disparate! ("Vencer com Verdade", ó doutora, deixe-se disso! Portugal tem mais com que se rir). Uma dica: as autoridades policiais já se lembraram de investigar o envolvimento de Maria de Lurdes Rodrigues no caso Freeport?

Campanha negra: a rapidez

Em portugal há mais pressa em aprovar leis e publicar "notícias" do que em apurar a verdade.

Campanha negra: segredo à portuguesa

A justiça é cega mas tem uma língua de sete palmos.

Campanha negra: questões de peso

Pondo os factos na balança:

1. Quantos os interesses lesados pelas políticas do governo nacional?

2. Em quantas trapalhadas e má explicações já se meteu Sócrates sempre que a imprensa chafurda no seu passado?

Campanha negra: a lupa e o cachimbo

Para a jUSTIÇA só há caso se houver dinheiro ... e pode demorar o tempo que for preciso

Campanha negra: governo de gestão à portuguesa

Freeport e Portucale, a mesma luta!

Campanha negra: os porcos, os feios e os maus

O que há de comum entre Maddie e Sócrates?

Os cães da polícia inglesa?
Os inspectores da Judiciária?
A imprensa nacional?

Campanha negra: vítimas de Sócrates

O que têm professores e juízes têm em comum? Três meses de férias... Quanto a Santana Lopes, limita-se a "andar por aí"

Campanha negra: ele é corrupto, logo tenho razão!

José Sócrates é culpado de corrupção.
LOGO, os professores não devem ser avaliados!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

À guisa de prefação

Perplex Cidades é um blogue assim... perplexo, que se constrói no terreno das cidades envelhecidas, sem futuro à espera de qualquer coisa, talvez de nada.

Perplex Cidades advoga o terramoto como forma de acordar os vizinhos.

Perplex Cidades anda à procura de si próprio.

Perplex Cidades interroga os seus leitores.